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	<title>Desconstruindo... &#187; úlceras</title>
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		<title>Cuidados Na Prevenção e Tratamento De Feridas &#8211; Parte 07</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Mar 2009 15:27:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O tratamento do paciente portador de pé diabético com ulceração deverá partir primeiramente de avaliação minuciosa para determinação de acometimento de base principal &#8211; neuropatia ou isquemia, a etiologia sempre deve ser estabelecida. Segue-se então a revisão da história médica e a avaliação da região plantar. Se a lesão for isquêmica será necessária a avaliação do cirurgião vascular para determinação das condições vasculares. Se a lesão for neuropática, avalia-se o grau de comprometimento sensitivo, motor e autonômico.</p>
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</p>
<p>Se durante a avaliação da ferida verifica-se a necessidade de debridamento, e se o pé for isquêmico, deve-se dar preferência ao debridamento enzimático ou instrumental com cautela e não agressivo para remoção da escara necrótica que é comum neste caso. Já no pé neuropático há a presença de tecido hiperqueratoso derivado da hidroxilação do colágeno pela glicose que prejudica a migração celular na epitelização, portanto pode-se utilizar o debridamento instrumental agressivo.</p>
<p>Na viência de infecção localizada em partes moles, será necessário a instituição de antibioticoterapia oral com reavaliação em uma semana, indicação de repouso do pé acometido e controle do <em>diabetes mellitus</em>. Se, por sua vez, a infecção se localizar no osso (osteomielite) será necessário a hospitalização, onde se fará a cultura apropriada para detecção do microorganismo envolvido, insituição de antibioticoterapia endovenosa e, em alguns casos, pode ser necessário intervenção cirúrgica com desbridamento ou amputação. As palmilhas ortopédicas sempre deverão ser indicadas para pacientes com deformidades nos pés, visando alívio da pressão plantar.</p>
<p>No tratamento da ferida pode-se utilizar o soro fisiológico para limpeza e diversos tipos de curativos, de acordo com sua indicação, como esponjas, hidrocolóides, alginatos, carvão ativado, hidrogel, tules com ou sem medicação, papaína, AGE, filme transparente.</p>
<p>No entanto, o principal desafio do profissional de saúde frente ao paciente diabético é a manutenção da integridade cutânea em relação a todos os compromentimentos que sofre nas complicações de sua patologia.</p>
<p>Nas intervenções preventivas que podem ser realizadas o controle glicêmico é essencial para diminuir complicações a longo prazo. Para tanto, utiliza-se a educação em saúde enfatizando a necessidade deste controle, a normalização do perfil lipídico, o controle da obesidade, a abolição do fumo e o cuidado com os pés.</p>
<p>Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes Mellitus (DM) e a Americam Diabetes Association, deve-se instituir o seguinte protocolo de atenção ao paciente diabético:</p>
<ul>
<li>Consulta anual com avaliação completa do paciente;</li>
<li>Identificar pé de alto risco:</li>
<p>- diminuição da sensação de proteção</p>
<p>- deformidade nas estruturas do pé</p>
<p>- biomecânica alterada</p>
<p>- doença vascular periférica</p>
<p>- integridade da pele</p>
<li> Um ou mais fatores e/ou neuropatias periféricas devem ser avaliadas com mais frequência (a cada 3 meses).</li>
</ul>
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		<title>Cuidados na Prevenção e Tratamento de Feridas &#8211; Parte 06</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Feb 2009 13:37:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro</dc:creator>
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<p style="display: inline; float: left; margin-right: 5px">
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</p>
<p>Estas lesões são desencadeadas por uma tríade de patologias bastante clássica que envolve a <strong>Neuropatia</strong> (autonômica, sensorial e motora), <strong>Doença Vascular Periférica</strong> e <strong>Infecções</strong>.</p>
<p>Comparação entre os sinais de neuropatia periférica e doença vascular periférica no pé de pessoas diabéticas:</p>
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<table class="MsoTableGrid" style="border: medium none; border-collapse: collapse; height: 236px;" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0" width="470">
<tbody>
<tr>
<td style="border: medium none; padding: 0cm 5.4pt; width: 122.4pt;" width="163" valign="top">
<p class="MsoNormal"><strong>Sinal/Sintoma</strong></p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 144pt;" width="192" valign="top">
<p class="MsoNormal"><strong>Úlcera Neuropática</strong></p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 135pt;" width="180" valign="top">
<p class="MsoNormal"><strong>Úlcera Isquêmica</strong></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 122.4pt;" width="163" valign="top">
<p class="MsoNormal"><strong>Deformidade do pé</strong></p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 144pt;" width="192" valign="top">
<p class="MsoNormal">Presente como dedo em forma de garra, de martelo, pé de   Charcot ou outros</p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 135pt;" width="180" valign="top">
<p class="MsoNormal">Não está presente</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 122.4pt;" width="163" valign="top">
<p class="MsoNormal"><strong>Temperatura da pele   do pé</strong></p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 144pt;" width="192" valign="top">
<p class="MsoNormal">Quente</p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 135pt;" width="180" valign="top">
<p class="MsoNormal">Fria</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 122.4pt;" width="163" valign="top">
<p class="MsoNormal"><strong>Coloração do pé</strong></p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 144pt;" width="192" valign="top">
<p class="MsoNormal">Normal</p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 135pt;" width="180" valign="top">
<p class="MsoNormal">Descorado quando elevado ou cianótico</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 122.4pt;" width="163" valign="top">
<p class="MsoNormal"><strong>Unhas </strong></p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 144pt;" width="192" valign="top">
<p class="MsoNormal">Atrofiadas</p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 135pt;" width="180" valign="top">
<p class="MsoNormal">Atrofiadas</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 122.4pt;" width="163" valign="top">
<p class="MsoNormal"><strong>Pulsos pediais</strong></p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 144pt;" width="192" valign="top">
<p class="MsoNormal">Presentes</p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 135pt;" width="180" valign="top">
<p class="MsoNormal">Ausentes ou reduzidos. API &lt;0,9</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 122.4pt;" width="163" valign="top">
<p class="MsoNormal"><strong>Dor </strong></p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 144pt;" width="192" valign="top">
<p class="MsoNormal">Ausente</p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 135pt;" width="180" valign="top">
<p class="MsoNormal">Presente, aliviando-se quando se coloca as pernas para   baixo</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 122.4pt;" width="163" valign="top">
<p class="MsoNormal"><strong>Formação de calos</strong></p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 144pt;" width="192" valign="top">
<p class="MsoNormal">Presente, principalmente na superfície plantar</p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 135pt;" width="180" valign="top">
<p class="MsoNormal">Ausente</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 122.4pt;" width="163" valign="top">
<p class="MsoNormal"><strong>Local da úlcera</strong></p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 144pt;" width="192" valign="top">
<p class="MsoNormal">Geralmente na superfície plantar</p>
</td>
<td style="padding: 0cm 5.4pt; width: 135pt;" width="180" valign="top">
<p class="MsoNormal">Geralmente nos dedos e em torno das extremidades do pé</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O paciente diabético deverá ser avaliado através dos seguintes métodos:</p>
<p><em>DISFUNÇÕES SENSORIAIS OBJETIVAS</em></p>
<ul>
<li>Teste de sensibilidade vibratória através da utilização do diapasão na região plantar.</li>
<li>Teste de sensibilidade térmica.</li>
<li>Teste de sensibilidade táctil e dolorosa &#8211; utilização dos monofilamentos</li>
</ul>
<p><em>DISFUNÇÕES SENSORIAIS SUBJETIVAS</em></p>
<ul>
<li>Dor (noturna, esporádica, cede espontaneamente)</li>
<li>Parestesia</li>
<li>Sensação de picadas e queimação</li>
</ul>
<p><em>DISFUNÇÕES MOTORAS</em></p>
<ul>
<li>Deformidade nos pés</li>
<li>Pé de Charcot</li>
</ul>
<p><em>DISFUNÇÃO DO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO</em></p>
<ul>
<li>Hipotensão postural</li>
<li>usência de sinais adrenérgicos de hipoglicemia</li>
<li>MMII com pele seca, fina e fissurada</li>
</ul>
<p><em>ALTERAÇÕES CIRCULATÓRIAS PERIFÉRICAS</em></p>
<p>Após esta avaliação minuciosa o paciente será classificado como:</p>
<ul>
<li>Grau 0 &#8211; Pé de risco</li>
<li>Grau 1 &#8211; Úlcera superficial, não infectada clinicamente</li>
<li>Grau 2 &#8211; Úlcera mais profunda, geralmente infectada, sem osteomielite</li>
<li>Grau 3 &#8211; Úlcera mais profunda, geralmente infectada, com osteomielite</li>
<li>Grau 4 &#8211; Gangrena localizada (dedo, ante-pé ou calcanhar)</li>
<li>Grau 5 &#8211; Gangrena em todo o pé</li>
</ul>
<p>0-3 Predominantemente neuropáticas</p>
<p>4-5 Isquemia é o fator principal</p>
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		<item>
		<title>Cuidados na Prevenção e Tratamento de Feridas &#8211; Parte 05</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jan 2009 15:44:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria (ainda)]]></category>
		<category><![CDATA[curativos]]></category>
		<category><![CDATA[enfermagem]]></category>
		<category><![CDATA[escaras]]></category>
		<category><![CDATA[feridas]]></category>
		<category><![CDATA[tratamento]]></category>
		<category><![CDATA[úlceras]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="text-decoration: underline;"><strong>Feridas Agudas e Crônicas</strong></span></h2>
<p><strong>Ferida Cirúrgica</strong></p>
<p><strong>Conceito:</strong> Em sua essência são feridas intencionais e agudas.</p>
<p><strong>Classificação quanto ao fechamento da ferida:</strong></p>
<p style="display: inline; float: left; margin-right: 5px;"><script type="text/javascript">// <![CDATA[
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<p>O tratamento da ferida cirúrgica deverá levar em conta o estado geral do paciente, identificando quaisquer fatores que possam afetar a cicatrização; e a avaliação minuciosa da ferida para identificar o método de fechamento, uso de drenos e quaisquer indícios de complicações.</p>
<p>O fechamento da ferida cirúrgica tem por finalidade restaurar a função e a integridade física com o mínimo de deformidade e sem infecção.</p>
<p><strong><em>Fechamento por <a href="http://desconstruindo.com.br/?p=867">primeira intenção</a>:</em></strong></p>
<p>Este método foi utilizado primeiramente por Hipócrates (460-377 a.C.), onde as bordas da sutura eram aproximadas por meio de suturas, clipes, grampos ou fitas. A cicatrização ocorre mais rapidamente e, nas primeiras 48 horas há formação de rede de fibrina no coágulo e após este período a &#8220;ferida deve estar totalmente fechada, impedindo o ingresso de bactérias&#8221;.</p>
<p><em><strong>Cuidados:</strong></em></p>
<ul>
<li>Curativo simples após ato operatório, que permanecerá entre 24 e 48 horas e não precisará ser substituido.</li>
</ul>
<p><em><strong>Opções:</strong></em></p>
<ul>
<li>Gaze simples até as primeiras 48 horas e após curativo aberto;</li>
<li>Filme transparente ou hidrocolóide até a retirada dos pontos &#8211; uma única aplicação<em><strong>;</strong></em></li>
<li>O último método tem mostrado diminuição da dor, permitindo que o paciente se mobilize com mais facilidade no pós-operatório, diminuindo complicações cirúrgicas e vasculares, permitindo monitoramento diário das condições clínicas da ferida;</li>
<li>Remoção da sutura após sete dias, com indicação médica.</li>
</ul>
<p><strong><em>Fechamento por segunda intenção:</em></strong></p>
<p>A ferida é deixada aberta e cicatriza pro granulação, epitelização e contração. É utilizado quando há perda considerável de tecido; quando a incisão é superficial mas cobre área extensa (ex: áreas doadoras de enxerto); houve infecção ou drenagem de abscesso.</p>
<p><strong><em>Fechamento por terceira intenção ou primeira intenção retardada:</em></strong></p>
<p>Utilizado quando há contaminação bacteriana considerável. Ocorre deiscência de sutura espontânea ou retirada dos pontos para drenagem. Se tratada a infecção, em cinco dias estas camadas serão aproximadas.</p>
<p><strong><em>Cuidados:</em></strong></p>
<ul>
<li>Curativos tem por objetivo permitir livre drenagem do pus para posterior aproximação das bordas.</li>
<li>Pode-se utilizar alginatos, hidrofibras, gaze com ácido graxo essencial, carvão ativado e prata.</li>
</ul>
<p><strong><em>Classificação Da Ferida Cirúrgica Quanto ao grau de Contaminação:</em></strong></p>
<p><strong>LIMPA</strong></p>
<ul>
<li>não há penetração nos trtos urinário, respiratório ou gastrointestinal;</li>
<li>não traumáticas;</li>
<li>sem processo inflamatório evidente;</li>
<li>técnica cirurgica correta;</li>
<li>princípios de anti-sepsia corretos;</li>
</ul>
<p><strong>POTENCIALMENTE CONTAMINADA</strong></p>
<ul>
<li>há penetração nos tratos urinário, respiratório ou grastrointestinal sem contaminação significativa;</li>
<li>traumáticas;</li>
<li>pequenas infrações da técnica cirúrgica;</li>
<li>áreas de difícil assepsia;</li>
</ul>
<p><strong>CONTAMINADA</strong></p>
<ul>
<li>há a contaminação dos tratos urinário, respiratório e gastrointestinal;</li>
<li>feridas traumáticas com menos de 06 horas de evolução;</li>
<li>ocorrência de processo inflamatório sem presença de pus;</li>
<li>há transgressões da técnica cirúrgica;</li>
<li>há infrações de anti-sepsia;</li>
</ul>
<p><strong>INFECTADA</strong></p>
<ul>
<li>há presença de pus;</li>
<li>há a perfuração de visceras;</li>
<li>feridas traumáticas com mais de 6 horas de evolução.</li>
</ul>
<p><strong>FERIDA CIRÚRGICA COMPLICADA</strong></p>
<p><strong>Conceito: </strong>é uma lesão primariamente intencional que teve seu processo cicatricial alterado devido a fatores adversos.</p>
<p>As alterações mais comuns são a hemorragia, as deiscências, as coleções, as fístulas e as infecções.</p>
<p><strong>Hemorragias:</strong> a hemorragia caracteriza-se pela saída de sangue pela incisão cirúrgica.</p>
<p>Poderá ocorrer durante o ato operatório, sendo denominada primária, no pós-operatório imediato, sendo denominada secundária, ou até o décimo dia do pós-operatório, sendo denominada terciária. Nos dois primeiros casos o fator desencadeante principal é a má técnica cirúrgica e, no último a infecção.</p>
<p>Na avaliação da hemorragia a observação e a experiência são valiosos, pois o sangramento poderá ser vigoroso e fácil de notar ou insidioso, muitas vezes sem externalizar-se. A presença de sinais de choque indicará sangramento intenso e quando o sangramento for menor surgirá ao redor da incisão a aparência de contusão ou formação de hematoma.</p>
<p><strong>Coleções:</strong> as coleções podem ser divididas em dois tipos, os hematomas e os seromas.</p>
<p><strong>Hematomas:</strong> são coleções sanguíneas não exteriorizadas que se localizam sob os planos das suturas. Como fatores de risco temos a hemostasia inadequada, a presença de espaços mortos, a iocorrência de traumatismos cirúrgicos, alterações de coagulação, transfusões maciças e hipertensão arterial sistêmica.</p>
<p>A formação de um hematoma significa um potencial campo aberto para bactérias e as vezes é possível remoção da sutura para sua drenagem.</p>
<p><strong>Seromas: </strong>é o acúmulo de líquido seroso no tecido subcutâneo, devido a grandes descolamentos ocorridos durante o ato cirúrgico.</p>
<p>Os seromas ocorrem principalmente em grandes descolamentos cirúrgicos, como no caso da lipoaspiração, em presença de líquidos de edema, ausência de drenos e técnica cirúrgica inadequada.</p>
<p><strong>Deiscências:</strong> é a separação dos planos cirúrgicos, total ou parcialmente, podendo desencadear respectivamente a herniação e a evisceração.</p>
<p>A deiscência divide-se em precoce e tardia, sendo que a precoce está relacionada a falha da sutura ou da técnica cirúrgica e a tardia como resultado de infecção.</p>
<p>Vários autores citam como fatores de risco para ocorrência da deiscência os seguintes itens:</p>
<ul>
<li>idade;</li>
<li>obesidade;</li>
<li>desnutrição;</li>
<li>técnica de sutura inadequada;</li>
<li>fio de sutura;</li>
<li>distensão abdominal;</li>
<li>problemas respiratórios;</li>
<li>infecções;</li>
<li>deficiências de cicatrização.</li>
</ul>
<p><strong>Fístula: </strong>trajeto ou comunicação anormal adquirida ou congênita entre duas vísceras ocas ou espaços potenciais internos ou entre esses e a pele sendo denominados respectivamente de internas e externas. Existem ainda as mistas, que ocorrem com a combinação de ambos os tipos.</p>
<p>As fístulas se desenvolvem espontaneamente ou após cirurgia. Tem como causa fatores congênitos ou adquiridos como traumas, doenças inflamtórias, neoplasias, pós radioterapia ou pós cirurgia, que são as mais comuns. Entre os fatores predisponentes encontramos ainda a idade, o estado nutricional e doenças associadas como doenças cardiovasculares, inflamtórias intestinais, hipóxias, cirrose e outras.</p>
<p><strong>Cuidados:</strong> o objetivo do cuidado do paciente portador de fístula são os mesmos utilizados para o paciente ostomizado, ou seja, a proteção da pele peri-ferida, controle do efluente e apoio nutricional;</p>
<p>Deve-se sempre atentar para os tipos de estruturas enviolvidas na fístula, para que se determine qual efluente e qual sua corrosividade sobre a pele do paciente para a escolha do dispositivo/curativo adequado;</p>
<p>Em fistulas com efluentes de alto débito e de alta corrosividade pode-se utilizar bolsa de resina sintética, as quais, além de proteger a pele, retém o efluente permitindo sua mensuração para posterior reposição necessária ao controle hidroeletrolítico;</p>
<p>Outra alternativa também é proteção da pele ao redor da ferida com placas de hidrocoloide e películas protetoras líquidas e não alcoólicas e, manter curativo absorvente fechado sobre a fístula. Em alguns casos utiliza-se ainda sistema de sucção de baixa pressão.</p>
<p><strong>INFECÇÃO</strong></p>
<p>São infecções que ocorrem após 30 dias da data da cirurgia, envolvendo-se desde a pele até órgãos e cavidades e que pode estender-se até um ano quando relacionado ao implante de próteses.</p>
<p>As infecções de sítio cirúrgico podem ser superficial quando envolvem pele e subcutâneo, profunda quando há acometimento de tecidos profundos ou órgão-cavidade quando envolve qualquer sítio anatômico manipulado no ato operatório.</p>
<p><strong>Fatores que aumentam o risco de infecção na ferida</strong></p>
<p><strong>Ambiente:</strong> longa hospitalização pré-operatória; alto índice de ocupação de leitos; baixos padrões de assepsia no centro cirúrgico; ventilação inadequada na sala de operações.</p>
<p><strong>Paciente:</strong> idade; obesidade; desnutrição; diabetes; esteroides; drogas imunossupressoras; lesões adicionais; tricotomia com lâmina.</p>
<p><strong>Ferida:</strong> tipo de cirurgia; duração da cirurgia; horário da cirurgia; má técnica cirúrgica; posição dos drenos.</p>
<p>Existem alguns critérios para identificação da infecção de sítio cirúrgico que devem ser consideradas. Clinicamente deve-se atentar para presença de achados como celulite, dor, rubor, calor, exsudato purulento, deiscências, evisceração e febre. Nos achados laboratóriais os microorganismos comumente isolados de cultura obtida assepticamente são o <em>s. aureus, s. epidermidis, escherichia coli, enterococus</em>, e alguns microorganismos multirresistentes como o <em>s. aureus meticilino resistente, c. albicans</em> e alguns outros como o <em>clostridium</em>, <em>pseudomonas</em> também são bastante comuns.</p>
<p>Quanto às condutas frente a ferida cirúrgica infectada, após a abordagem sistêmica com instituição de antibioticoterapia direcionada pela cultura e antibiograma, faz-se a abordagem da ferida avaliando todos os aspectos já discutidos anteriormente. Na presença de tecido de granulação a limpeza da ferida deve ser o menos agressiva possível, porém, intensa com o objetivo de remover microorganismos da superfície da lesão, detritos, exsudato. Em feridas necróticas essa limpeza deve ser mais vigorosa e associada ao tipo de desbridamento indicado para cada caso. A seguir institui-se o curativo ideal através de questionamentos que direcionem o profissional a verificar uma conduta terapêutica mais adequada para o tratamento da lesão.</p>
<p>É importante ressaltar que a alta deve ser programada tão logo quanto possível, com o objetivo de manter a integridade da incisão, estimulando a cicatrização precoce e quando ela ocorrer o paciente deve ser orientado sobre sinais de infecção na incisão e retorno em caso de problemas observados.</p>
<p><strong>O PÉ DIABÉTICO</strong></p>
<p>O diabete mellitus é considerado como uma das principais doenças crônicas no mundo, devido à sua alta prevalência e elevadas taxas de mortalidade e morbidade.</p>
<p>O pé diabético é uma complicação do diabetes que se origina de problemas em diversas áreas susceptíveis da doença, quais sejam os nervos, a pele, os vasos e o sistema músculo-esquelético-ligamentar dos pés.</p>
<p>As ulcerações no pé de pessoas diabéticas são um dos problemas indesejados que acarretam perdas importantes para o paciente, alterando a sua auto-imagem, sua independência, além de muitas vezes acarretar gastos tanto para o paciente quanto aos serviços de saúde que poderiam ser evitados através da prevenção pela educação em saúde.</p>
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		<title>Cuidados na Prevenção e Tratamento de Feridas &#8211; Parte 04</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Jan 2009 15:59:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>A capacidade de fazer uma avaliação adequada de uma ferida é habilidade importante e deve ser feita junto com avaliação do paciente. Essa avaliação tem como objetivo fornecer informações básicas sobre o estado da ferida para que a evolução possa ser monitorada e assegurar que seja feita uma seleção adequada dos produtos utilizados no tratamento. Há váris fatores a serem levados em consideração:</p>
<ul>
<p style="display: inline; float: right; margin-right: 5px">
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</p>
<li><strong>Classificação da ferida:</strong> pelo grau de perda tissular, sendo <em>superficial</em> quando atinge apenas a epiderme; <em>parcial </em>quando atinge a derme e <em>profunda ou total</em> quando atinge o tecido subcutâneo, músculos e ossos.</li>
<li><strong>Aparência da ferida:</strong> há classificação da ferida pela cor do tecido encontrado no leito da ferida (<em>Vermelho, Amarelo ou Preto</em>), sendo <em>Vermelho</em> o tecido limpo, com tecido de granulação saudável; <em>Amarelo </em>o tecido fibrótico e <em>Preto</em> o tecido necrosado.</li>
<li><strong>Mensuração da ferida:</strong> em feridas rasas usa-se a avaliação bidimensional, em profundas a tridimensional. Também pode-se utilizar um todos os casos, réguas, desenhos, fotos, moldes e instilação de fluídos. As medidas devem ser tomadas pela mesma pessoa e com a mesma técnica.</li>
<li><strong>Localização anatômica:</strong> observa-se este fator para identificar problemas como o risco de contaminação na região sacra, problemas de mobilidade em MMII (<em>membros inferiores</em>). Também avalia-se o tipo de curativo adequado para cada região.</li>
<li><strong>Exsudato:</strong> observa-se a variação conforme o processo de cicatrização. Avalia-se cor, volume, consistência e odor.</li>
<li><strong>Leito da ferida:</strong> avalia-se a viabilidade tissular, presença de corpos estranhos, sinus, fístulas e as fases de cicatrização.</li>
<li><strong>Infecção:</strong> observa-se a presença de sinais clínicos de infecção e faz-se a  avaliação laboratorial por biópsia ou cultura do local.</li>
<li><strong>Bordas:</strong> avalia-se a presença de epitelização, necrose e isquemia.</li>
<li><strong>Área periférica:</strong> atentar para cor, integridade, umidade e alterações presentes.</li>
</ul>
<p>Após a avaliação criteriosa da ferida, é necessário a escolha do curativo adequado para a lesão. Para essa escolha leva-se em conta os princípios básicos do tratamento de feridas, que são:</p>
<ul>
<li>reduzir ou eliminar o fator causal.</li>
<li>promover suporte sistêmico para cicatrização e,</li>
<li>implementar terapia tópica adequada.</li>
</ul>
<p>Após análise detalhada dos fatores causais e avaliação sistêmica do paciente, faz-se a determinação da terapia tópica mais adequada norteada pelas seguintes diretrizes:</p>
<ul>
<li>Remover tecido necrótico e corpos estranhos;</li>
<li>Identificar e eliminar infecção;</li>
<li>Obliterar os espaços mortos;</li>
<li>Manter o leito da ferida úmido;</li>
<li>Remover o excesso de exsudato;</li>
<li>Promover o isolamento térmico;</li>
<li>Proteger de traumas e invasão bacteriana.</li>
</ul>
<p>Nas últimas décadas ocorreram mudanças importantes em relação a realização de curativos que foram norteados pelo princípio de manutenção do meio úmido de cicatrização e com isso houve a introdução de inúmeros produtos no mercado; assim é necessário que os profissionais que atuam nesta área saibam utilizar este novo arsenal terapêutico, cuja utilização pressupõe mudanças conceituais e principalmente sobre protocolos de avaliação das feridas.</p>
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		<title>Cuidados na Prevenção e Tratamento de Feridas &#8211; Parte 03</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Dec 2008 22:24:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>A última fase do processo cicatricial é a fase de maturação que tem início por volta da terceira semana após a ocorrência da ferida e estende-se por até 2 anos, dependendo do grau, extensão e local da lesão. Tem por função aumentar a força tênsil da cicatriz. Nesta fase há a reorganização do colágeno de forma que as fibras deixam sua posição aleatória horizontal para formarem ângulos com as margens da ferida. O tecido da cicatriz é gradativamente remodelado e depois de um longo período de tempo, fica parecido com o tecido normal. Ocorre ainda o clareamento da cicatriz pela redução da vascularização local. Clinicamente observa-se cicatriz rasada e alargada que torna-se mais pálida e endurecida e com aspecto fibrótico.</p>
<p>A força tênsil também cresce na linha da ferida: três semanas após a lesão ter ocorrido, há aproximadamente 20% da força original do tecido; cinco semanas após, 40%, e ao final de sete semanas, 70%; no entanto, a força original do tecido, antes de ser lesado, jamais será recuperada.
<p style="display: inline; float: right; margin-right: 5px">
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</p>
<p>O processo de cicatrização anteriormentedescrito pode dar-se de três formas: primeira, segunda e terceira intenção.</p>
<p>A cicatrização por primeira intenção ocorre quando as bordas da ferida são discretas apostas ou aproximadas. Quando há perda pequena de tecido, ausência de infecção e edma mínimo. A cicatriz é mínima e o processo é mais rápido.</p>
<address class="mceTemp"> </address>
<dl class="wp-caption alignnone" style="width: 476px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img src="http://www.forp.usp.br/restauradora/laser/Luciana/Image95.gif" alt="Cicatrização de Primeira Intenção" width="466" height="342" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd"><strong><em>Cicatrização de Primeira Intenção</em></strong></p>
</dd>
</dl>
<p>Na cicatrização por segunda intenção há perda excessiva de tecido e presença de infecção. O processo de contração é que aproxima as bordas, a cicatrização é mais lenta e produz uma cicatriz significativa.</p>
<address class="mceTemp"> </address>
<dl class="wp-caption alignnone" style="width: 490px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img src="http://www.forp.usp.br/restauradora/laser/Luciana/Image96.gif" alt="Cicatrização de Segunda Intenção sem Infecção e com Infecção" width="480" height="445" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd"><strong><em>Cicatrização de Segunda Intenção, sem Presença de Infecção e Com Presença de Infecção</em></strong></p>
</dd>
</dl>
<p>A de terceira intenção ocorre quando há fatores que retardam a cicatrização de uma lesão inicialmente submetida a um fechamento por primeira intenção. Esta situação ocorre quando uma incisão é deixada aberta para drenagem do exsudato para ser, posteriormente, fechada.</p>
<p>De qualquer forma, para que a recuperação do paciente e a reparação da ferida ocorram é necessário a realização de uma avaliação periódica, sistematizada e criteriosa de ambos para que haja implementação de um plano terapêutico adequado para cada momento.</p>
<p>Quando se avalia o portador da lesão, é necessário levar em conta alguns fatores sistêmicos, como:</p>
<ul>
<li><strong>Idade avançada: </strong>torna o indivíduo mais susceptível a traumas e infecções; há uma diminuição da resposta inflamatória imunológica e vascular; presença de deficiência nutricional e possíveis associações com doenças sistêmicas;</li>
<li><strong>Estado nutricional:</strong> a ausência ou diminuição de alguns nutrientes pode comprometer todo o processo cicatricial, como a vitamina C, A ou K e proteínas;</li>
<li><strong>Doenças associadas:</strong> como insuficiência renal crônica, neoplasias, anemias, diabetes, outros;</li>
<li><strong>Condições vasculares:</strong> a insuficiência arterial leva a hipóxia tissular e na insuficiência venosa ocorre hipertensão venosa associada a válvulas incompetentes, aumentando o risco de trombose e formação de cuffs de fibrina;</li>
<li><strong>Uso de drogas:</strong> anti-inflamatórios esteróides e não-esteróides, citotóxicos; <em>imunossupressores</em>: fumo, radioterapia e outros;</li>
<li><strong>Status neurológico:</strong> mobilidade, percepção sensorial, incontinência;</li>
<li><strong>Status psicológico:</strong> estresse, depressão, sono, medo e impotência influenciam diretamente no sistema imunológico;</li>
<li><strong>Distúrbios de coagulação:</strong> sangramento prolongado pela redução da agregação plaquetária.</li>
</ul>
<p>Para manutenção de um tratamento adeaudo também existem fatores locais que influenciam no processo de cicatrização:</p>
<ul>
<li><strong>Presença de infecção:</strong> há retardo  da cicatrização e piora da estética. São consideradas infectadas as feridas com cultura com bactérias acima de 10<sup>5</sup> colonia no tecido estudado.</li>
<li><strong>Corpo estranho: </strong>predispõe infecção e dificulta a contração da ferida.</li>
<li><strong>Edema:</strong> aumenta a pressã0 local.</li>
<li><strong>Ressecamento:</strong> dificulta a migração celular.</li>
<li><strong>Alterações na oxigenação tissular:</strong> a deficiência de oxigênio impede a síntese de colágeno, diminui a proliferação e migração celular e reduz a resistência dos tecidos à infecção.</li>
<li><strong>Forças mecânicas:</strong> pressão, fricção e cisalhamento.</li>
</ul>
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		<title>Cuidados na Prevenção e Tratamento de Feridas &#8211; Parte 02</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Dec 2008 13:21:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro</dc:creator>
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<p style="display: inline; float: left; margin-right: 5px">
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</p>
<p>Clinicamente, observa-se sangramento controlado, sinais inflamatórios (dor, calor, rubor, edema) e perda da função local.</p>
<h6 class="mceTemp">
<dl class="wp-caption alignright" style="width: 307px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img src="http://www.icb.ufmg.br/pat/pat/old/imagem/marca/inflamac.gif" alt="Sinais Inflamatórios" width="297" height="209" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd"><strong><span style="color: #ff0000;"><em>Sinais Inflamatórios</em></span></strong></dd>
</dl>
</h6>
<p>Microscopicamente, ocorre a ativação do sistema complemento e cinina. O sistema complemento é composto por proteínas do plasma que são precursores inativos, que, quando ativados ocorre um efeito cascata que leva a liberação de histamina pela degranulação dos mastócitos, resultando em vasodilatação e aumento da permeabilidade capilar. Esse efeito é aumentado pelo sistema cinina que, através de uma série de etapas, ativa o cininogênio em cinina. As cininas atraem neutrófilos para a ferida, aumentam a fagocitose e provocam dor por estímulos das terminações nervosas.</p>
<p>A medida que os capilares dilatam, aumenta-se o fluxo sanguineo para o tecido lesado e forma-se estão o exsudato inflamatório, que é composto por proteínas do plasma, anticorpos, glóbulos vermelhos e brancos (eritrócitos e leucócitos)  plaquetas. As plaquetas estão envolvidas na formação do coágulo e também liberam fatores de crescimento e fibronectina. Sua função é promover a migração e o crescimento das células no local da ferida.</p>
<p>O primeiro leucócito a chegar no local da ferida é o neutrófilo, através da quimiotaxia que é estimulada pela fibronectina. Após uma hora do início da reação inflamatória já existem neutrófilos no leito da ferida, os quais tem a função de fagocitar as bactérias.</p>
<p>Já os fatores de crescimento atraem os monócitos para a ferida e quando lá chegam são conhecidos como macrófagos, com as mesmas propriedades dos neutrófilos; a quimiotaxia, a diapedese e a fagocitose, só que são maiores, conseguindo fagocitar partículas mais volumosas como detritos necróticos e bactérias e até neutrófilos depois de mortos, os quais tem uma vida útil de algumas horas até dias.</p>
<p>Esta fase dura de quatro a cinco dias e requer recursos nutricionais e energéticos. Se houver infecção, corpo estranho ou lesão causada pelo curativo, este estágio será mais demorado e poderá debilitar o paciente.</p>
<p>A fase que se segue é a proliferativa, que tem por função preencher a ferida com tecido conectivo e fazer a cobertura epitelial.</p>
<p>Clinicamente observa-se na ferida presença de tecido de granulação, uma fina camada de parede epitelial e o encolhimento das bordas da mesma, com duração aproximada de três semanas.</p>
<p>A granulação ocorre pela neoformação capilar que é o resultante da liberação de fatores angiogênicos secretados pelos macrófagos que estimulam a proliferação das células endoteliais dos vasos sanguineos. Nesta fase há produção de colágeno do tipo III pelos fibroblastos.</p>
<p>A epitelização caracteriza-se pela redução da capilarização e aumento do colágeno. As principais características são a migração e divisão mitótica das células basais iniciando nas bordas da ferida. Durante a maturação do epitélio, as células basais se dividem e se deslocam para cima.</p>
<p>A contração da ferida se dá ela ação especializada dos fibroblastos conhecidos como miofibroblastos. Isso pode se iniciar no quinto ou sexto dia e há redução considerável das áreas de superfície das feridas abertas. Ela é responsável por 40 a 50% do fechamento da ferida. Em feridas de superfícies grandes como as queimaduras, elas podem levar a contraturas.</p>
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		<pubDate>Fri, 28 Nov 2008 20:17:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro</dc:creator>
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<p style="text-align: justify;"><em>Este é início de uma série de artigos sobre assuntos diversos voltados para a área de enfermagem. Como são artigos técnicos para área de saúde, poderá ocorrer o aparecimento de termos técnicos específicos para a área de saúde.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Não use este artigo ou qualquer outro publicado neste blog para fazer diagnósticos de prováveis doenças. Minha meta não é dar diagnósticos precisos, e sim esclarecer. Em caso de dúvida, procure um profissional qualificado.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Processo de Reparação Tissular</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A rapidez da evolução tecnológica e científica tem impactado o mundo; na área de saúde, por exemplo, há uma necessidade de constantes atualizações por parte dos profissionais para manter-se informado dos novos conceitos e descobertas em relação a abordagem do homem no processo saúde-doença.</p>
<p style="display: inline; float: left; margin-right: 5px">
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</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das concepções sobre o tratamento de feridas diz que o curativo deveria ser mantido limpo, protegido e seco. Hoje sabemos que limpo sempre, protegido às vezes e seco nunca, pois a fisiologia relata que a célula é constituída basicamente de água, e é cercada por esta de todos os lados. Portanto, se a ferida estiver seca, haverá muita dificuldade para migração celular, retardando o processo cicatricial.</p>
<p style="text-align: justify;">Conceituando ferida, o termo se “aplica a toda e qualquer ruptura de integridade de um tecido ou órgão, podendo atingir desde a epiderme, que é a camada mais externa da pele, até estruturas mais profundas como fáscias, músculos, aponeurose e outros órgãos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Atualmente as feridas são classificadas pelo método que leva em consideração a causa, o agente e o conteúdo microbiano local.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>relação à causa</em> classifica-se como intencional ou cirúrgica, acidental ou traumática, podendo em ambos os casos apresentar-se aberta ou fechada.</p>
<p style="text-align: justify;">Pelo <em>agente</em> classifica-se em cortante ou incisiva, perfurante ou puntiforme, contusa, abrasiva, penetrante e térmica.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando se leva em conta o <em>conteúdo microbiano</em> nomeia-se pelo potencial para infecção como limpa, limpa-contaminada ou potencialmente contaminada, contaminada e infectada.</p>
<p style="text-align: justify;">O processo de reparação tissular em feridas varia de acordo com o grau de perda tecidual. Em lesões com perda superficial (epiderme) ou parcial (epiderme e derme) de tecido ocorre o que chamamos de processo de regeneração tissular, onde há substituição do tecido perdido por um tecido com as mesmas características e funções do tecido original. Este processo é mais simples, consistindo na cobertura epitelial da ferida e migração das células para cima até ocorrer a regeneração completa durante aproximadamente 15 dias.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando há perda mais profunda de tecido, classificada como perda total (atingindo tecido subcutâneo e estruturas mais profundas) ocorrerá então o processo de cicatrização visando reparar o local lesado com tecido conectivo, que não terá a mesma qualidade nem a mesma função do tecido original.</p>
<p style="text-align: justify;">Em qualquer tipo de ferida o tratamento deve ser cuidadoso e adequado para cada momento do processo cicatricial.</p>
<p style="text-align: justify;">A cicatrização é um processo complexo, em cascata iniciado pelo trauma, influenciado por múltiplas variáveis, micro e macroambientais, sujeita a modificações, não universal, inevitável e incapaz de produzir a qualidade de integridade tissular presente em áreas não lesadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando há uma solução de continuidade em qualquer tecido dá-se início ao processo cicatricial que se divide em três fases: <em>inflamatória, proliferativa e maturação.</em></p>
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