Acabo de ver no Fantástico a reportagem sobre os brasileiros que estão cursando medicina nos países vizinhos. Minha primeira reação foi de que eles não tem condições mínimas de exercer medicina, nem aqui, nem nos países onde eles se formaram.
Claro que, após refletir um pouco, ao invés de mudar de opinião, continuo com a mesma ideia e explico porque:
- um estudante brasileiro, atualmente, se quiser cursar Medicina, vai ter que enfrentar um processo seletivo rigoroso, que existe justamente para poder separar quem tem uma formação educacional aprimorada. Entenda-se aqui que não estou falando das pessoas de classe social melhor, que puderam por seus filhos para estudar em ótimos colégios. Conheço pelo menos duas pessoas de classe social baixa que conseguiram, por méritos próprios, passar e concluir o curso superior em Medicina, em universidades conceituadas. Não é porque uma pessoa é pobre que ela não pode ter uma formação educacional aprimorada. Acredito que tudo vai principalmente da formação educacional recebida dentro de sua própria casa, inicialmente.
- vemos a cada dia surgir toda uma geração de pessoas que querem as coisas do modo mais fácil, sem ter que lutar por elas. E não venham me dizer que se mudar para a Bolívia, Colômbia, Argentina ou qualquer outro país das Américas, só porque lá não tem vestibular é uma coisa difícil, porque não é. Concordo que largar a família, ir para um país com hábitos e costumes diferentes, se sujeitar a morar em locais que não oferecem um mínimo de conforto realmente não é fácil. Mas se a pessoa está disposta a fazer isso, porque ela não se sacrifica em estudar um pouco mais para passar numa Universidade pública brasileira? Pelo menos, quando concluir o seu curso, não terá tantas dificuldades para conseguir um registro no conselho de classe e poderá trabalhar tranquilo, sem medo de fiscalização ou de estar exercendo ilegalmente a profissão.
- prestando atenção na reportagem exibida, podemos ver que a maioria daqueles alunos sequer tem uma boa formação na língua pátria, alguns inclusive falando muito errado. Aqui eu deixo uma perguntinha muito simples: Você confiaria num médico, ou em qualquer profissional de nível superior, que fale errado? Eu não confio, pois espera-se que eles tenham uma formação mais aprimorada, e se nem falar o próprio idioma corretamente o profissional consegue, imagine o resto. (Podem me criticar por preconceito, mas que eu penso. Até hoje nunca encontrei um médico confiável que falasse errado).
- sou claramente contra a massificação do ensino de Medicina (Direito e mais algumas profissões). Isso só está proporcionando a formação de profissionais de qualidade duvidosa, só porque os pais tem condições de pagar as mensalidades do filho. Se pagando entre R$2500,00 e R$5000,00 por mês, como mostrado na reportagem do Fantástico, ainda temos um monte de médicos que saem da universidade sem terem noção nenhuma de farmacologia, vias de administração de medicamentos, que não sabem fazer um diagnóstico diferencial entre uma gripe e um resfriado (tão achando que eu estou exagerando??? Já presenciei todas estas situações dentro de hospitais) imagine uma pessoa que está estudando numa faculdade que cobra R$500,00 no curso de Medicina? Qual será a qualidade do ensino oferecido?
- os médicos formados em outros países reclamam da prova de validação de diploma, alegando que ela é muito difícil. A prova tem que realmente ser difícil. Isso se chama reserva de mercado. Se as provas de validação de títulos fossem para ser fáceis, qualquer pessoa poderia ir pra fora, comprar seu diploma e validar seu diploma no Brasil. A mesma coisa ocorre quando um brasileiro quer trabalhar legalmente em outros países. Por exemplo, enfermeiros que querem trabalhar em países como Portugal, Itália ou Austrália, tem que fazer a prova de validação de títulos lá. E até onde eu saiba, também não é uma prova fácil. Se fosse fácil, consigo até visualizar a máfia que se formaria por trás disso, com pessoas vendendo o diploma lá fora, com os donos de cursinho que lucrariam muito dinheiro oferecendo cursinhos preparatórios para validação de títulos, e por aí vai. Seria um vestibular para validar o diploma, não mais para ingressar numa universidade/faculdade.
Respeito quem está lá fora correndo atrás de um sonho, mas analisando friamente, ainda não consigo visualizar vantagens em ir estudar medicina fora do Brasil. Acredito que compense mais fazer o possível e passar numa instituição de ensino brasileira, pois se é para morar mal, comer mal, trabalhar a noite e nos finais de semana para poder estudar de dia, dá para se fazer tudo isso aqui. Lembro que quando estava na faculdade (pública), tinha uma colega de sala que se sustentava vendendo bombons artesanais, que ela mesma fazia. E com isso ela conseguiu sobreviver, morando sozinha e, segundo ela, sem auxilio financeiro dos pais, que eram pobres, por cinco anos. Era quase o mesmo ritmo de vida que leva as pessoas que vão morar e estudar fora do Brasil.
Artigos relacionados:
- Ponto de Vista de um Ex-budista Convertido ao Cristianismo Sou um cristão simpatizante do budismo, dentre outras religiões orientais,...
- Medicina Faz Mal a Saúde? O médico Vernon Coleman diz que os hospitais mais matam...
- Orkut e Twitter: Tô Fora! Orkut e Twitter. Tô Fora! Depois de algum tempo pensando...
- Brasil Telecom e o Consumidor, Um Caso Quase Sem Solução Como vocês devem ter percebido a ausencia de artigos neste...
bom estava pensando em ir estudar fora, mais me falaram que parece açougue as escolas não que eu tenha algum preconceito com quem trabalha com isso mais tenho certeza que se a pessoa estudar aqui fazer um cursinho consegue passar simplesmente dedicação de quem quer ser medico parabéns pela matéria.
Eu sou estudante de medicina na Bolívia,e posso te dizer que em minha universidade o ensino é tão bom quanto uma faculdade no Brasil com ótimos professores.Se realmente o Brasil fosse um país para todos como costuma aparecer em campanhas politicas,pessoas de classe baixa (pobres) teriam a oportunidade de realizar seu sonho no seu próprio país e não precisariam se submeter a sair para estudar fora.
Num país hipócrita onde nas universidades públicas estão cheias de filhos de papai tomando o lugar de quem realmente quer estudar e vão até la para fumar maconha e impedir o trabalho da policia.