Neste Lugar Solitário… ou As Elucubrações Sanitárias

Neste lugar solitário…

Sinto uma tristeza profunda

A bosta bate na água

E a água bate na bunda!!!

Toda vez que eu vou dar destino ao número 2 esvaziar a minha mente, durante aqueles longos e intermináveis minutos de espera, inevitavelmente acabo lembrando de um grande autor paranaense, o Eno Teodoro Wanke. (biografia aqui).

Não que os livros que ele escreveu sejam uma bosta completa ruins, e sim por causa de um livro em especial, o intitulado Neste lugar solitário…”.

A primeira vez que ouvi falar de Eno Teodoro Wanke eu era adolescente, e foi justamente por causa deste livro, que é uma coletânea de versos, rimas e trovas, de cunho escabroso ou escatológico, escritos nas paredes dos banheiros públicos.

Lembro que ouvi falar pela primeira vez sobre o referido livro quando estudava no antigo segundo grau (acho que hoje se chama ensino médio), e como na época eu era um rato de biblioteca, lá fui eu, belo e faceiro, para a Biblioteca Pública, reduto de tantas tardes sem ter o que fazer em casa.

Chegando lá, dei de cara com a censura velada do Ademar, o bibliotecário da tarde. Certas coisas marcam a memória da gente, e uma delas é lembrar do Ademar alegando que não poderia fazer o empréstimo do livro porque ele era muito “besteirento”, que tinha uma linguagem pesada, muito baixa, etc.

É óbvio que essa argumentação toda teve um efeito reverso: em vez de me convencer a ler outra coisa qualquer, me deixou com mais vontade ainda de lero o tal “livro proibido”.

Resumindo a epopéia, depois de muita insistência e muita saliva gasta argumentando em prol do empréstimo do livro, finalmente fui pra casa com o livro embaixo do braço.

Não que fosse uma obra excepcional, afinal o que pode-se esperar de uma coletânea de trovas e versos de gosto duvidoso, mas hoje, quando penso nisso me vem à cabeça que aqueles intermináveis minutos ao vaso sanitário serviram de inspiração para muita gente escrever nas portas e paredes, o que condeno por ser uma forma de depredação do bem público, também serviu para que um cara, no caso o Eno, tivesse uma idéia luminosa e resolveu publicar um livro com esse monte de versos de gosto duvidoso, que se não vendeu muito, pelo menos em Alto Paraná foi muito lido, pois o marketing boca a boca fez com que o livro não parasse na biblioteca durante meses.

Obs: este post, como não podia deixar de ser, foi pensado e rascunhado num lugar solitário, nos intermináveis minutos de espera…

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