Bem, se você chegou até este artigo pensando que vai encontrar algum manifesto contra a homofobia ou algum relato de caso de homofobia, desculpe decepcioná-lo, não vou falar nada disso.
O que vou fazer é contar um pouquinho de como podemos mudar completamente o nosso paradigma sobre certos assuntos. Se você se interessou, por favor, continue lendo.
Até o ano de 2007 eu poderia me classificar como homofóbico. Como assim? Ora, como todo homofóbico, eu simplesmente achava que a população gay do planeta poderia ser extinta que não faria diferença nenhuma, ou melhor, faria uma diferença sim, tornaria o mundo muito melhor.
Apesar dessa opinião tão radical, nunca fui uma pessoa violenta. Tanto é que nunca me meti em brigas e confusões e justamente por isso eu nunca teria coragem de fazer nada contra um homossexual. Lembro até que teve uma época, quando eu tinha uns 19 anos, que eu fiz amizade com um skinhead.
O skinhead me contava algumas estórias de como ele e outros skinheads haviam espancado um travesti; de como eles bateram num garoto homossexual; de como eles deram uma lição numa bichinha, e por aí vai. Na época achava legal, mas apesar dos convites, nunca fui a uma dessas “demonstrações ideológicas”, como ele chamava na época.
Com o passar do tempo, eu simplesmente comecei a ignorar a existência de homossexuais. Só lembrava da existência dos mesmos quando via algum travesti na rua, ou via algum personagem mais afeminado na TV.
É interessante como, na ótica dos homens, o homossexualismo masculino é algo considerado nojento e o homossexualismo é quase como um objeto de desejo masculino, pois a grande maioria dos homens que eu conheço sonham em transar com duas mulheres ao mesmo tempo, e que estas mulheres também troquem carícias entre si, o que poderia ser considerado como uma forma de homossexualismo. Em compensação, lembro que muitas amigas da época da faculdade achavam nojento o homossexualismo feminino e aceitavam numa boa o homossexualismo masculino. Tanto que a grande maioria tinha algum amigo gay nessa época.
Bem, o tempo foi passando e eu acabei sendo a prova de que o ditado popular “Nunca cuspa pra cima que cai na testa” é a mais pura verdade.
Quando eu casei pela segunda vez, a minha esposa já havia me chamado a atenção sobre alguns posicionamentos homofóbicos que havia feito, e eu nunca dei muita bola, até que um dia ela me olha séria e diz: “O meu irmão é gay”.
Bem, vamos deixar claro que até esse dia eu não havia conhecido o meu cunhado ainda, já que ele morava em outro estado na época.
Quando fomos apresentados, dei uma boa analisada nele e, aparentemente, ele não dava pinta de ser homossexual, ou seja, era o que se costuma chamar de enrustido.
Uns meses depois, acabamos por nos mudar de estado e moramos três meses com o meu cunhado. Neste período ele nos apresentou seus amigos (todos homossexuais) e o namorado da época.
Agora imagine a cena: Eu tinha atitudes totalmente homofóbicas, morando na casa de um gay e convivendo com a mais variada fauna de bichinhas imaginável. Situação um tanto quanto estranha.
Com a convivência, percebi que os homossexuais não são o bando de depravados que estamos acostumados a pensar que são. Tá, existem alguns que são depravados sim, assim como também tem muito heterossexual depravado. Também percebi que são, acima de tudo, pessoas com sentimentos identicos aos de um heterossexual, que querem arrumar um companheiro, constituir uma família, muitas vezes com direito a filhos e tudo.
Realmente, foi uma mudança radical nos meus conceitos. Não vou ser hipócrita a ponto de afirmar que me tornei um simpatizante do movimento gay, mas passei a ter uma aceitação e um respeito pelos homossexuais que antes eu não tinha. Hoje minha casa é frequentada tanto por homossexuais quanto por heterossexuais, e por algumas pessoas que eu acho que ainda estão na dúvida para qual lado ir.
O que quero demonstrar com isso é que o preconceito é algo que existe primeiramente dentro da nossa cabeça.Se simplesmente eliminarmos o preconceito, passamos a ver as outras pessoas realmente como elas são. Posso afirmar isso, pois foi o que eu acabei fazendo.
Aproveito aqui para deixar um recado: Não é por que o cara é gay que ele vai dar em cima de mim. Melhor do que a maioria dos heterossexuais, eles respeitam a opção sexual do outro. Se você levou uma cantada de um gay, simplesmente diga que você é hetero, que gosta do sexo oposto e não de pessoas do mesmo sexo, etc. Não precisa sair na porrada. Trate com respeito que será tratado com respeito.
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É meu caro, se não se aprende pelo amor vai pela dor mesmo. Muitos julgam e acabam sendo pegos na esquina pela homofobia. Somente sabe a respeito da dor (da rejeição, do preconceito…) quem por ela passa.