Sábado eu e a primeira-dama recebemos um convite de um casal amigo nosso para irmos ao Festival de Fondue no Restaurante Famiglia Santa’anna (acho que é assim que se escreve o nome do lugar).
Pra quem não sabe, normalmente fondue se come no inverno, naquelas temperaturas em que qualquer ser humano estaria trajando, no mínimo, uma blusa de lã das mais grossas, coisa que para mim, paranaense do pé vermelho, e para os nossos amigos (100% paulistas), é algo meio inconcebível de se usar aqui em Aracaju, onde o nosso inverno nos tem brindado com temperaturas entre 23ºC e 28ºC.
Pois bem, lá fomos nós para o tal festival. Já haviamos almoçado na Famiglia Santa’anna uma ou duas vezes, e acho os pratos de lá muito bons, com um preço um tanto quanto salgado, o que reduz a nossa freqüência, visto que nesse ponto Aracaju tem outros locais pra se comer por um preço mais acessível. Como Marcelo e Flávia (nossos amigos) já haviam chegado, ficamos de bate-papo, na espera para ver se algum outro cliente nas mesas vizinhas pedia o dito cujo do fondue, pois a gente, já tarimbado nos costumes sergipanos, estavamos um tanto quanto desconfiados dessa estória de festival de fondue.
Pelo cardápio, os fondue eram de queijo, carne, chocolate, camarão, morango, e um misto, que na minha concepção, era um pouquinho de cada, ou então uma variação de dois ou três sabores diferentes, o que se justificava pelo preço cobrado: R$43,00 o casal pelo fondue normal e R$50,00 o casal pelo fondue misto.
Quando vimos o tamanho da panela de fondue que vinha para o casal e o tamanho das porções, tanto de carne quanto das outras opções para se comer com o fondue, resolvemos optar por outra coisa. Segundo a opinião da primeira-dama, conhecedora profunda do apetite deste que voz escreve, era uma porção que daria para uma pessoa comer razoavelmente bem, ou seja, pagariamos o preço de um casal e ainda sairiamos com fome. Por fim, resolvemos os quatro comer um prato do cardápio, que seria mais vantagem.
Nada contra a idéia de trazer novidades culinárias, típicas de uma região para outra, acho a idéia até louvável, pois assim todo mundo pode ter pelo menos uma noção do que e como se come em outras regiões do nosso país, mas acredito que faltou um pouquinho mais de pesquisa aos donos do Famiglia Santa’anna, pois não importa se o fondue seria servido naquela panelinha pequena ou numa panela enorme. Fondue é um prato que cumpre um papel social, ou seja, chamamos os amigos, vamos molhando o pão no queijo derretido e ficamos batendo papo. Depois fritamos os pedaços de carne ou os camarões no óleo e continuamos conversando, e por fim mergulhamos os morangos ou as cerejas no chocolate, a título do sobremesa, tudo regado a muita conversa e uns bons goles de vinho. O fondue, na minha sincera opinião, não pode ser apresentado como apenas mais um prato, primeiro que para alguém encher a barriga com fondue, haja boa vontade, pois acho que ninguém vai querer sair para jantar, pagar caro e só comer pão branco molhado no queijo derretido.
Como estamos no nordeste, acredito que poderia ser feito um fondue tradicional e colocar uns sabores da terra, algo como fondue de carne de sol com queijo, por exemplo.
Pessoalmente, acredito que a idéia do restaurante foi válida, mas eu sairia muito insatisfeito se tivesse comido o fondue ao invés da picanha de cordeiro que acabei comendo (que por sinal estava deliciosa), mas fica a dica pra quem nunca comeu fondue ou não faz idéia do que seja esse prato: Festival de Fondue da Cantina Famiglia Santa’anna, na orla de Atalaia, aqui em Aracaju. E para quem vem do sul do país e acha que vai sentir faltas das coisas do sul, veja que aqui tem até festival de fondue, imagine o resto…
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