Estágio: Um divisor de águas profissional

ESCOLA POLITÉCNICA - RIO DE JANEIRO

Nos cursos técnicos, já no primeiro ou segundo dia de aula, conseguimos perceber quais são os alunos que estão ali apenas para passar o tempo ou só conseguir um diploma/certificado, e os alunos que realmente estão interessados em aprender alguma coisa.

Na área que leciono (Saúde, mais especificamente, Enfermagem), é extremamente importante identificar o interesse dos alunos pelo curso, e prepará-los corretamente para exercerem a profissão escolhido no futuro.

Para isso, além das aulas teóricas e práticas, temos também os estágios nas instituições de saúde.

Para os alunos, o estágio é uma excelente oportunidade de colocarem em prática, numa situação real controlada, o que aprenderam na escola. Para nós, professores, é uma excelente oportunidade de avaliarmos o conhecimento do aluno, mas principalmente, se ele tem vocação para a lida diária com pessoas doentes ou debilitadas.

Na maioria das vezes, aqueles alunos que identificamos no início do curso como desinteressados não chegam nem a ir para o campo de estágio, pois em algum momento anterior eles acabam se desligando do curso, seja por desistência, seja por reprovação nas matérias teóricas.

Quando acontece de algum desses alunos conseguir chegar no estágio, é fácil de ser identificado. Geralmente é o aluno que fica se esquivando do contato com o paciente, evita ao máximo dar banho no leito, fazer um curativo ou realizar qualquer tipo de procedimento.

Às vezes acontece de algum aluno desistir logo após o primeiro estágio, mas normalmente quem conclui o primeiro estágio no hospital acaba ficando até concluir o curso.

Infelizmente, a não ser que este aluno resolva mudar sua atitude frente ao curso e ao trato com os pacientes, ele irá se tornar mais um péssimo profissional, assim como tantos que encontramos nas instituições de saúde.

Na verdade, encaro o estágio como o “grande divisor de águas” dos cursos técnicos profissionalizantes de saúde.

Antes do estágio, muitos alunos conseguem  até tirar boas notas na parte teórica, mas quando se deparam com a realidade de uma instituição de saúde, com a falta de materiais e equipamentos, más condições de trabalho e a baixa remuneração, só ficam os que realmente tem alguma vocação para a área.

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Alessandro é webdesigner dos sites Desconstruindo, Zhen Jiu e Art In Paper, origamista, escritor nas horas vagas. Distribui o seu tempo livre entre estas funções, quando as filhas deixam.
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