O tratamento do paciente portador de pé diabético com ulceração deverá partir primeiramente de avaliação minuciosa para determinação de acometimento de base principal – neuropatia ou isquemia, a etiologia sempre deve ser estabelecida. Segue-se então a revisão da história médica e a avaliação da região plantar. Se a lesão for isquêmica será necessária a avaliação do cirurgião vascular para determinação das condições vasculares. Se a lesão for neuropática, avalia-se o grau de comprometimento sensitivo, motor e autonômico.
Se durante a avaliação da ferida verifica-se a necessidade de debridamento, e se o pé for isquêmico, deve-se dar preferência ao debridamento enzimático ou instrumental com cautela e não agressivo para remoção da escara necrótica que é comum neste caso. Já no pé neuropático há a presença de tecido hiperqueratoso derivado da hidroxilação do colágeno pela glicose que prejudica a migração celular na epitelização, portanto pode-se utilizar o debridamento instrumental agressivo.
Na viência de infecção localizada em partes moles, será necessário a instituição de antibioticoterapia oral com reavaliação em uma semana, indicação de repouso do pé acometido e controle do diabetes mellitus. Se, por sua vez, a infecção se localizar no osso (osteomielite) será necessário a hospitalização, onde se fará a cultura apropriada para detecção do microorganismo envolvido, insituição de antibioticoterapia endovenosa e, em alguns casos, pode ser necessário intervenção cirúrgica com desbridamento ou amputação. As palmilhas ortopédicas sempre deverão ser indicadas para pacientes com deformidades nos pés, visando alívio da pressão plantar.
No tratamento da ferida pode-se utilizar o soro fisiológico para limpeza e diversos tipos de curativos, de acordo com sua indicação, como esponjas, hidrocolóides, alginatos, carvão ativado, hidrogel, tules com ou sem medicação, papaína, AGE, filme transparente.
No entanto, o principal desafio do profissional de saúde frente ao paciente diabético é a manutenção da integridade cutânea em relação a todos os compromentimentos que sofre nas complicações de sua patologia.
Nas intervenções preventivas que podem ser realizadas o controle glicêmico é essencial para diminuir complicações a longo prazo. Para tanto, utiliza-se a educação em saúde enfatizando a necessidade deste controle, a normalização do perfil lipídico, o controle da obesidade, a abolição do fumo e o cuidado com os pés.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes Mellitus (DM) e a Americam Diabetes Association, deve-se instituir o seguinte protocolo de atenção ao paciente diabético:
- Consulta anual com avaliação completa do paciente;
- Identificar pé de alto risco:
- Um ou mais fatores e/ou neuropatias periféricas devem ser avaliadas com mais frequência (a cada 3 meses).
- diminuição da sensação de proteção
- deformidade nas estruturas do pé
- biomecânica alterada
- doença vascular periférica
- integridade da pele
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