Cuidados na Prevenção e Tratamento de Feridas – Parte 04

A capacidade de fazer uma avaliação adequada de uma ferida é habilidade importante e deve ser feita junto com avaliação do paciente. Essa avaliação tem como objetivo fornecer informações básicas sobre o estado da ferida para que a evolução possa ser monitorada e assegurar que seja feita uma seleção adequada dos produtos utilizados no tratamento. Há váris fatores a serem levados em consideração:


  • Classificação da ferida: pelo grau de perda tissular, sendo superficial quando atinge apenas a epiderme; parcial quando atinge a derme e profunda ou total quando atinge o tecido subcutâneo, músculos e ossos.
  • Aparência da ferida: há classificação da ferida pela cor do tecido encontrado no leito da ferida (Vermelho, Amarelo ou Preto), sendo Vermelho o tecido limpo, com tecido de granulação saudável; Amarelo o tecido fibrótico e Preto o tecido necrosado.
  • Mensuração da ferida: em feridas rasas usa-se a avaliação bidimensional, em profundas a tridimensional. Também pode-se utilizar um todos os casos, réguas, desenhos, fotos, moldes e instilação de fluídos. As medidas devem ser tomadas pela mesma pessoa e com a mesma técnica.
  • Localização anatômica: observa-se este fator para identificar problemas como o risco de contaminação na região sacra, problemas de mobilidade em MMII (membros inferiores). Também avalia-se o tipo de curativo adequado para cada região.
  • Exsudato: observa-se a variação conforme o processo de cicatrização. Avalia-se cor, volume, consistência e odor.
  • Leito da ferida: avalia-se a viabilidade tissular, presença de corpos estranhos, sinus, fístulas e as fases de cicatrização.
  • Infecção: observa-se a presença de sinais clínicos de infecção e faz-se a  avaliação laboratorial por biópsia ou cultura do local.
  • Bordas: avalia-se a presença de epitelização, necrose e isquemia.
  • Área periférica: atentar para cor, integridade, umidade e alterações presentes.

Após a avaliação criteriosa da ferida, é necessário a escolha do curativo adequado para a lesão. Para essa escolha leva-se em conta os princípios básicos do tratamento de feridas, que são:

  • reduzir ou eliminar o fator causal.
  • promover suporte sistêmico para cicatrização e,
  • implementar terapia tópica adequada.

Após análise detalhada dos fatores causais e avaliação sistêmica do paciente, faz-se a determinação da terapia tópica mais adequada norteada pelas seguintes diretrizes:

  • Remover tecido necrótico e corpos estranhos;
  • Identificar e eliminar infecção;
  • Obliterar os espaços mortos;
  • Manter o leito da ferida úmido;
  • Remover o excesso de exsudato;
  • Promover o isolamento térmico;
  • Proteger de traumas e invasão bacteriana.

Nas últimas décadas ocorreram mudanças importantes em relação a realização de curativos que foram norteados pelo princípio de manutenção do meio úmido de cicatrização e com isso houve a introdução de inúmeros produtos no mercado; assim é necessário que os profissionais que atuam nesta área saibam utilizar este novo arsenal terapêutico, cuja utilização pressupõe mudanças conceituais e principalmente sobre protocolos de avaliação das feridas.

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