A fase inflamatória é essencial na cicatrização, pois tem como função o controle do sangramento e a limpeza da ferida, visando a restauração tecidual.
Clinicamente, observa-se sangramento controlado, sinais inflamatórios (dor, calor, rubor, edema) e perda da função local.
- Sinais Inflamatórios
Microscopicamente, ocorre a ativação do sistema complemento e cinina. O sistema complemento é composto por proteínas do plasma que são precursores inativos, que, quando ativados ocorre um efeito cascata que leva a liberação de histamina pela degranulação dos mastócitos, resultando em vasodilatação e aumento da permeabilidade capilar. Esse efeito é aumentado pelo sistema cinina que, através de uma série de etapas, ativa o cininogênio em cinina. As cininas atraem neutrófilos para a ferida, aumentam a fagocitose e provocam dor por estímulos das terminações nervosas.
A medida que os capilares dilatam, aumenta-se o fluxo sanguineo para o tecido lesado e forma-se estão o exsudato inflamatório, que é composto por proteínas do plasma, anticorpos, glóbulos vermelhos e brancos (eritrócitos e leucócitos) plaquetas. As plaquetas estão envolvidas na formação do coágulo e também liberam fatores de crescimento e fibronectina. Sua função é promover a migração e o crescimento das células no local da ferida.
O primeiro leucócito a chegar no local da ferida é o neutrófilo, através da quimiotaxia que é estimulada pela fibronectina. Após uma hora do início da reação inflamatória já existem neutrófilos no leito da ferida, os quais tem a função de fagocitar as bactérias.
Já os fatores de crescimento atraem os monócitos para a ferida e quando lá chegam são conhecidos como macrófagos, com as mesmas propriedades dos neutrófilos; a quimiotaxia, a diapedese e a fagocitose, só que são maiores, conseguindo fagocitar partículas mais volumosas como detritos necróticos e bactérias e até neutrófilos depois de mortos, os quais tem uma vida útil de algumas horas até dias.
Esta fase dura de quatro a cinco dias e requer recursos nutricionais e energéticos. Se houver infecção, corpo estranho ou lesão causada pelo curativo, este estágio será mais demorado e poderá debilitar o paciente.
A fase que se segue é a proliferativa, que tem por função preencher a ferida com tecido conectivo e fazer a cobertura epitelial.
Clinicamente observa-se na ferida presença de tecido de granulação, uma fina camada de parede epitelial e o encolhimento das bordas da mesma, com duração aproximada de três semanas.
A granulação ocorre pela neoformação capilar que é o resultante da liberação de fatores angiogênicos secretados pelos macrófagos que estimulam a proliferação das células endoteliais dos vasos sanguineos. Nesta fase há produção de colágeno do tipo III pelos fibroblastos.
A epitelização caracteriza-se pela redução da capilarização e aumento do colágeno. As principais características são a migração e divisão mitótica das células basais iniciando nas bordas da ferida. Durante a maturação do epitélio, as células basais se dividem e se deslocam para cima.
A contração da ferida se dá ela ação especializada dos fibroblastos conhecidos como miofibroblastos. Isso pode se iniciar no quinto ou sexto dia e há redução considerável das áreas de superfície das feridas abertas. Ela é responsável por 40 a 50% do fechamento da ferida. Em feridas de superfícies grandes como as queimaduras, elas podem levar a contraturas.
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