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Cuidados na Prevenção e Tratamento de Feridas – Parte 10

Posted in Saúde on July 10th, 2010 by Alessandro

ÚLCERAS DE PRESSÃO

A úlcera de pressão é: “uma área localizada de morte celular que se desenvolve quando um tecido mole é comprimido em uma proeminência óssea e uma superfície dura por um prolongado período de tempo”… “uma úlcera de pressão pode ser descrita como uma lesão localizada da pele, provocada pela interrupção do fornecimento de sangue para a área, geralmente provocado por pressão, cisalhamento ou fricção ou uma combinação dos três”.

É importante considerar que as úlceras de pressão elevam o tempo de hospitalização do paciente, pelo agravamento do seu quadro clínico, com consequente aumento da morbidade, mortalidade e do custo que, muitas vezes, podem ser prevenidos ou minimizados.

Sabe-se, também, que entre os profissionais de saúde, o de enfermagem é o que possui, devido seu contato mais constante com o paciente, a maior facilidade de avaliação e intervenção sistematizada, individualizada e diária, podendo atuar diretamente na prevenção, bem como no tratamento das úlceras de pressão, possuindo, consequentemente, maior poder de transformação de uma situação particular como esta.

Na etiopatogênese das úlceras de pressão, os fatores mais importantes são a pressão, quanto aos aspectos aspectos de durabilidade e intensidade, e a tolerância tissular.

Paranhos e Santos (1999) consideram que a pressão capilar tende a mover o fluido externo através da membrana capilar. A pressão de fechamento capilar indica a pressão necessária para o colapso do capilar, sendo de aproximadamente 32 mmHg nas arteríolas e 12 mmHg nas vênulas. Quando ocorre uma pressão externa que seja superior a 32 mmHg, ocorre uma diminuição de fluxo sanguíneo para a área. A pressão aplicada em tecido mole por longo período, pode colapsar ou trombosar os vasos capilares ocorrendo uma falência na oxigenação e nutrição dos tecidos envolvidos, ocorrendo um acúmulo de subprodutos tóxicos do metabolismo e, como consequência, a anóxia tissular e isquêmica.

Além da intensidade e da duração da pressão também é um fator etiopatológico importante a tolerância tissular relacionada a capacidade do tecido em distribuir e compensar a pressão exercida sobre o tecido contra a estrutura do esqueleto, influenciando, então, na condição e integridade da pele e estruturas de suporte.

Além desses fatores, outras forças mecânicas como a fricção e o cisalhamento concorrem para a formação de úlceras de pressão, fazendo com que as camadas superiores de células epiteliais sejam rompidas. O cisalhamento consiste na intensidade gravitacional que impulsiona o corpo numa direção oposta, ficando este em posição de repouso, gerando atrito na superfície cutânea. Quando são exercidas estas forças existe distensão e lesão nos tecidos e vasos sanguíneos, ocorrendo o deslizamento nas camadas tissulares umas sobre as outras, consequentemente a microcirculação da pele e do tecido subcutâneo são rompidas.

Outro fator associado é o edema que dificulta a circulação e interfere no suprimento de nutrientes para as células, e assim como a umidade e a fricção irão favorecer o risco de lesão.

A umidade constitui um risco extrínseco à formação de úlceras de pressão, podendo ser resultante e alteração do nível de consciência, incontinência, drenagem, transpiração e outros. A constante umidade na pele causa uma susceptibilidade ao atrito e a maceração.

Existem ainda outros fatores intrínsecos também relacionados à formação de úlceras de pressão, como a raça, a idade avançada, as doenças associadas, o uso de medicamentos, a deficiência nutricional e o comportamento neurológico, intimamente ligado a mobilidade e atividade. Já os distúrbios metabólicos não são responsáveis pela formação da úlcera de pressão diretamente, mas influenciam em sua cronicidade.

Paranhos e Santos citam que para a avaliação dos fatores de risco no desenvolvimento de úlceras de pressão existem, atualmente, vários instrumentos que facilitam sua predição, e por intermédio de uma abordagem correta, previne sua ocorrência como as Escalas de Norton, Gosnell, Waterlow, Braden entre outras. Neste aspecto, a escala de Braden tem se mostrado com melhores índices de validade preditiva, sensibilidade e especificidade, tendo considerada como uma das mais adequadas para predizer o risco de desenvolvimento desse tipo de úlcera, através de inúmeros estudos internacionais.

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