Este é início de uma série de artigos sobre assuntos diversos voltados para a área de enfermagem. Como são artigos técnicos para área de saúde, poderá ocorrer o aparecimento de termos técnicos específicos para a área de saúde.
Não use este artigo ou qualquer outro publicado neste blog para fazer diagnósticos de prováveis doenças. Minha meta não é dar diagnósticos precisos, e sim esclarecer. Em caso de dúvida, procure um profissional qualificado.
Processo de Reparação Tissular
A rapidez da evolução tecnológica e científica tem impactado o mundo; na área de saúde, por exemplo, há uma necessidade de constantes atualizações por parte dos profissionais para manter-se informado dos novos conceitos e descobertas em relação a abordagem do homem no processo saúde-doença.
Uma das concepções sobre o tratamento de feridas diz que o curativo deveria ser mantido limpo, protegido e seco. Hoje sabemos que limpo sempre, protegido às vezes e seco nunca, pois a fisiologia relata que a célula é constituída basicamente de água, e é cercada por esta de todos os lados. Portanto, se a ferida estiver seca, haverá muita dificuldade para migração celular, retardando o processo cicatricial.
Conceituando ferida, o termo se “aplica a toda e qualquer ruptura de integridade de um tecido ou órgão, podendo atingir desde a epiderme, que é a camada mais externa da pele, até estruturas mais profundas como fáscias, músculos, aponeurose e outros órgãos”.
Atualmente as feridas são classificadas pelo método que leva em consideração a causa, o agente e o conteúdo microbiano local.
Em relação à causa classifica-se como intencional ou cirúrgica, acidental ou traumática, podendo em ambos os casos apresentar-se aberta ou fechada.
Pelo agente classifica-se em cortante ou incisiva, perfurante ou puntiforme, contusa, abrasiva, penetrante e térmica.
Quando se leva em conta o conteúdo microbiano nomeia-se pelo potencial para infecção como limpa, limpa-contaminada ou potencialmente contaminada, contaminada e infectada.
O processo de reparação tissular em feridas varia de acordo com o grau de perda tecidual. Em lesões com perda superficial (epiderme) ou parcial (epiderme e derme) de tecido ocorre o que chamamos de processo de regeneração tissular, onde há substituição do tecido perdido por um tecido com as mesmas características e funções do tecido original. Este processo é mais simples, consistindo na cobertura epitelial da ferida e migração das células para cima até ocorrer a regeneração completa durante aproximadamente 15 dias.
Quando há perda mais profunda de tecido, classificada como perda total (atingindo tecido subcutâneo e estruturas mais profundas) ocorrerá então o processo de cicatrização visando reparar o local lesado com tecido conectivo, que não terá a mesma qualidade nem a mesma função do tecido original.
Em qualquer tipo de ferida o tratamento deve ser cuidadoso e adequado para cada momento do processo cicatricial.
A cicatrização é um processo complexo, em cascata iniciado pelo trauma, influenciado por múltiplas variáveis, micro e macroambientais, sujeita a modificações, não universal, inevitável e incapaz de produzir a qualidade de integridade tissular presente em áreas não lesadas.
Quando há uma solução de continuidade em qualquer tecido dá-se início ao processo cicatricial que se divide em três fases: inflamatória, proliferativa e maturação.
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