Cuidados na Prevenção e Tratamento de Feridas – Parte 09

ÚLCERA ARTERIAL


A úlcera arterial é resultante da hipóxia tecidual causada pelo inadequado suprimento sanguíneo que pode ser causado por oclusão arterial aguda, como a tromboangeíte obliterante (doença de Buerger) mais comum no sexo masculino com idade entre 20 e 30 anos associados ao tabagismo e a doença de Raynald, e oclusões arteriais crônicos como a arteriosclerose e a aterosclerose obliterante, mais comum no sexo masculino com idade acima de 50 anos.

O diagnóstico é realizado através de testes vasculares não invasivos como Doppler, e testes vasculares por imagem como RX simples e arteriografia.

A avaliação do paciente é feita através de coleta do histórico em relação ao tempo de lesão, tipo de trauma, doenças associadas, fatores comportamentais e tipo de terapia tópica usada.

No exame físico será evidenciado dor intensa em repouso, claudicação intermitente (ciclo exercício-dor-repouso-alívio), edema de estase, pulsos pediais diminuídos ou ausentes; pés frios e pálidos quando elevados e vinhosos em declive, pele brilhante, tensa, fria com queda de pelos; unhas grossas e opacas. Será necessário a realização da verificação do índice de pressão do tornozelo e a classificação de Fontaine.

CLASSIFICAÇÃO DE FONTAINE

Classificação da Instalação da Úlcera Arterial (de acordo com o grau de gravidade)

Estádio 1: Assintomático (moléstia atípica)

Estádio 2: Claudicação intermitente

Estádio 3: Dor em repouso

Estádio 4: Ulceração e/ou Gangrena

As úlceras arteriais são profundas, tem pouco exsudato, pouca granulação, não sangram, tem demarcação de cor branca – rosácea, localizam-se nos dedos, pés, calcâneos ou região lateral da perna e tem presença de necrose.

O tratamento do paciente portador de úlcera arterial terá por objetivo diminuir os sintomas da isquemia e prevenir a perda do membro afetado. A perfusão tecidual poderá melhorar com o aquecimento dos membros, repouso com cabeceira elevada e realização de exercícios suaves. A remoção do tecido necrótico deverá ser realizada sob avaliação criteriosa, levando em conta o tipo de tratamento e prognóstico instituído. Todos os cuidados devem ser adotados para a prevenção da infecção do local, pois, na sua ocorrência, o tratamento será difícil. O tratamento tópico de escolha dependerá das características da ferida podendo-se utilizar hidrocoloides, hidrogel, espuma ou filme transparente.

Para profilaxia da úlcera arterial deve-se orientar o paciente a aquecer os membros inferiores, realizar inspeção diariamente dos pés, evitar traumas mecânicos e térmicos, usar calçados macios, eliminar fatores agravantes, adequação da dieta, realização de exercícios suaves e abolição do fumo.

ÚLCERAS MISTAS

As úlceras mistas apresentam componentes arteriais e venosos, sendo necessário a definição do fator predisponente para intervenção adequada e a maneira mais indicada de fazê-lo é através de exames como o Doppler para avaliação dos membros inferiores.

Se o fator principal for venoso durante o dia se indicará compressão moderada e à noite, a elevação do membro provoca dor, então deve-se retirar a compressão.

Se o fator principal for arterial, será indicado exercícios e curtos períodos de elevação dos membros.

Em ambos casos, se a cicatrização for lenta será necessário a avaliação de um cirurgião vascular.

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