Desconstruindo a Solitude

Por Chrissie Brito
13 de julho de 2020

Talvez você nunca tenha ouvido falar na palavra ​Solitude, ou ache que ela significa o mesmo que ​Solidão. Porém, há uma feliz diferença entre ambas. Já viu alguém sozinho na fila do cinema, sentado sem companhia à mesa de um restaurante, programando uma viagem sem os amigos, ou simplesmente em casa fazendo jantar pra um e tomando um vinho enquanto todo mundo resolveu sair de galera e pensou que esta seria uma pessoa infeliz, sem amigos, ou zilhões de outros pontos negativos que a levassem a estar sozinha? Se a sua resposta é sim, infelizmente você não está… sozinho… e felizmente, a gente pode desconstruir isso agora.

Você e eu sabemos que existe uma construção social tradicional de estarmos sempre rodeados de alguma forma. Tudo bem morar com os pais, tudo “ok” dividir apartamento com amigos, e melhor ainda se casar e realizar o sonho de construir a própria família, mas e morar sozinho? Por que essas decisões têm pesos e percepções tão diferentes aos nossos olhos? Primeiro, precisamos entender que antes de sermos seres sociais, nós somos in-di-ví-du-os; ou seja, possuímos identidade própria, necessidades diferentes, histórias, experiências, bagagens de vida que construíram e ainda constroem quem somos e para onde vamos, e dentre essas características tão particulares a cada um, estar sozinho – aliás – acompanhado de si mesmo, pode ser algo incrivelmente satisfatório.

Pessoas que estimam a solitude, em outras palavras, apreciam a própria companhia, o autoconhecimento, o silêncio, o espaço, o tempo gasto com o que querem e precisam, e experimentam um tipo diferente de liberdade: a de estar sozinho sem sentir-se sozinho. É o que expressa muito bem Paul Tillich, teólogo do século XX, quando diz que ​“​A linguagem criou a palavra solidão para expressar a dor de estar sozinho. E criou a palavra solitude para expressar a glória de estar sozinho​”​. E longe de ser uma experiência exclusiva para quem necessariamente não tem uma companhia, a solitude também pertence à mãe que quer um momento solo de autocuidado, para o pai que trabalhou duro a semana inteira; ela é para quem descobre o que o reconecta a si mesmo e renova as suas energias.

Tendo em vista que é totalmente possível sentir-se sozinho mesmo estando cercado de pessoas, por mais amadas que elas sejam, a solitude pertence a quem se pertence. Portanto, estar sozinho em suas mais variadas formas é uma escolha pessoal e livre. E como cantava o grande poeta Belchior:

“Saia do meu caminho/
Eu prefiro andar sozinho/
Deixem que eu decido a minha vida/
Não preciso que me digam de que lado nasce o sol/
Porque bate lá o meu coração”

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