Ser pai é ser presente

Por Patrícia Monteiro
09 de agosto de 2020

Sobre responsabilidade dos pais e autonomia dos filhos

por Patrícia Monteiro

 

 

Vislumbres do a[mar]

a propósito do Dia dos Pais  –  por Patrícia Monteiro

Hoje eu queria estar perto. Ir contigo na praia – meu lugar preferido. Largar os sapatos – e as tensões – que tanto apertam o nosso cotidiano. Subir as calças compridas; deixar os pés e os caminhos à mostra; encurtar as distâncias que nos separam. Eu largo na frente em direção ao mar. E você deixa que eu chegue primeiro, só pra eu imaginar que ganhei a corrida. Você me segue de longe, mas me guarda debaixo da vista. Observa minha pressa e lembra de sua própria maratona pra ‘vencer na vida´. Nossos pés desalinhados se encontram lá na beirinha da praia. O horizonte nos deixa na mesma linha. Infinito, imponente, impossível de conter, mas ali, tão perto de nós: como nossas lutas e conquistas, nossas forças e fraquezas, nossos medos e possibilidades. Coisa de gente real. Vento que sopra. E barco que segue!

Você me conta ‘histórias de pescador’. Os sonhos de menina saltam, feito peixes que escapam da rede, pois não querem a superfície, e retornam ao lugar de origem…De volta ao mar, também navegamos mais fundo, encontramos beleza e superação. Me alegro em navegar pela tua essência e avistar o profundo dos teus motivos. Sinto o quanto valeu a pena descobrir, no lugar de um super-herói-idealizado, um homem-pai-real: simplesmente humano; ora grande, ora miudinho, como cada um de nós. O sol, feito convidado apressado, participa do nosso encontro à beira mar. Lança raios intensos e luminosos sobre as ondas de memórias que nos tocam.

Com tudo às claras, respiramos fundo, sorvendo luz, paz e descanso. Agradecemos por todos os “caldos” que nos derrubaram e pelas mãos divinamente humanas que nos ajudaram a levantar. Céu aberto, reflexo de amor mar a dentro – de nós. Porque só pode ser sagrado o dom de mergulhar no outro e permanecer nele e com ele, em suas/nossas dores, ausências e incompletudes. Assim se é pai e se é filho, sendo presença ousada de amor e respeito; mergulho profundo em aceitação, graça que decide permanecer junto; alegria corajosa que acolhe o outro, com gratidão. Pai, meu poço de humanidade, otimismo, parceria e fé na vida; vento que sopra de longe e eu sinto aqui perto. Entre pedras firmes, areias e águas sem fim, navegamos nesse rico mar que é a vida-bem-vinda. Com um oceano de possibilidades todim pra nós, e a confiança, feito âncora, em nosso a(mar).

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